
A aparição dos negócios baseados no conhecimento abalou grande parte do pensamento econômico tradicional.
As fronteiras industriais tradicionais estão cada vez mais estreitas. Na atualidade, são muitas as empresas que abrangem várias categorias industriais e unem as suas forças com sócios que tem esferas de atividade igualmente amplas. Todas as empresas procuram estabelecer as suas próprias redes globais que podem utilizar para atrair outros sócios e assim reforçar as suas posições competitivas.
O modelo econômico da pós-revolução industrial, que apóia o pensamento tradicional de gestão e proporciona o marco para a maioria dos sistemas contáveis, está se tornando rapidamente inoperante, à medida que os novos gestores empreendem ações competitivas; mesmo assim, os primeiros economistas não imaginaram que a vantagem competitiva se basearia na velocidade, na inovação, no serviço e na personalização, assim como no volume, na escala e no baixo custo. Mas, acima de tudo, estes modelos mecânicos não podem encontrar fórmulas matemáticas que possam simular os efeitos da confiança, da lealdade e o poder das relações: os fatores críticos que determinam o êxito da nova economia. Encontrar os empregados, fornecedores, clientes e sócios adequados, promover a confiança entre eles e desenhar o sistema adequado de medidas e recompensas, terá um impacto sobre a atuação da nova economia, muito maior que os modelos baseados no custo-volume-beneficio.
Uma nova visão de emprego
A revolução industrial criou um conceito completamente novo, o da "massificação", no qual encontramos a produção em massa , os mercados de massa, o consumo massivo, os meios de informação de massa, os partidos políticos de massas, a religião de massas e as armas de destruição massivas.
No auge do seu poder, final dos anos 50, início dos anos 60, quinhentas gigantescas empresas norte-americanas produziram metade do produto industrial da nação e empregaram mais de 12% da força de trabalho. Nos anos setenta, 90% da população ativa trabalhava para organizações e, para muita gente, sobretudo no Japão a sua carreira profissional baseava -se em trabalhar toda a sua vida para uma mesma empresa. Uma nova economia surgia e com ela a tendência inversa , isto é, até à desmassificação, em que as fábricas, as cidades e até as nações retrocederão, e os interesse minoritários estarão em primeiro plano.
É suficiente constatar o recente período da redução do tamanho, a proliferação de canais de televisão de mercados-nicho, no mundo e o crescimento explosivo da Internet, para confirmar o que está previsto para o futuro. De fato numerosos escritores sugerem que estamos entrando numa espiral descendente de um numero menor de postos de trabalho, empresas em quebra, em ultima análise, mal-estar social. A força impulsionadora primária é a reengenharia do trabalho e o deslocamento dos trabalhos de rotina pela tecnologia. Praticamente todas as reengenharias aumentam drasticamente o desemprego.
Os postos de trabalho não só desaparecem, como também está mudando o modo como se realiza o trabalho que fica. O mundo tradicional dos postos de trabalho baseados na carreira, com contratos de trabalho, direito a férias e reformas e estruturas de promoção claramente definidas, está a dando lugar ao trabalho por contrato, equipes de projeto, e muitos outros tipos de atividades de grupos de trabalho independentes, que com freqüência se encontram separadas da própria organização.
Quando as pessoas contemplam o seu futuro no novo mercado de trabalho, devem ter clara uma coisa: têm de aprender a ser mais independentes e tomar as rédeas do desenvolvimento das suas carreiras. Isto significa que têm que assegurar que o seu conhecimento seja atual e útil.
Como conseqüência, a aprendizagem contínua deve converter-se numa parte essencial do seu desenvolvimento. Um mundo mais fraturado, composto de umas poucas mas grandes empresas apoiadas por redes de pequenos negócios independentes, que partilham e trocam conhecimentos com os seus parceiros corporativos será, possivelmente, o modelo da nova economia.
Alano Nogueira Matias é doutor em Administração pela Universidade do Estado de Iowa/ USA, mestre em Administração pela Universidade Santo Amaro, especialista em Marketing e Recursos Humanos pela UFRJ e em EAD pela Universidade de Brasília e Bacharel em Administração. É Professor titular da Universidade Católica de Brasília e do UniCEUB, consultor associada da FGV, do Instituto Publics e da HR consultoria.